Depois de tomar algumas providências pelo centro, entre elas ir com o Giacomo a um cyber, vejo-me do meio para o fim da tarde, sem um roteiro definido.
Algumas coisas que tinha pensado, como tomar um metrô e ir a alguns lugares mais distantes ( o Once, San Fernando onde se localizam as lojas náuticas, etc.) já parecem inexeqüíveis.
Procuro, então, localizar a livraria Pulpo Negro especializada em náutica.
O endereço que já tinha anotado era Calle Uruguay, 802, Béccar. Não me dou, contudo, ao trabalho de pesquisar muito porque olhando o mapa localizo , do outro lado da Avenida 9 de Julio, a Calle Uruguay poucas quadras mais adiante.
Anoto, então, o endereço da rua e o número num pequeno papel sem dar maior importância ao último nome.
Alguma zona pelo centro, creio que até pensei.
Saio do hotel em companhia do Giacomo e me entrego a uma caminhada gloriosa, subindo a Lavalle, atravessando a avenida e chegando, talvez meia hora depois, na Uruguay.
Resta encontrar o número, 802.
Determino o sentido da numeração e continuo a caminhada. Algumas quadras mais e tenho que atravessar a Avenida Córdoba pois pela numeração estaria logo após o outro lado.
Mas, para minha perturbação não encontro.
Claro, deixei passar o número, preciso retornar, pensei.
Novamente atravesso a avenida Córdoba mas, o que só aumenta minha perturbação, novamente não encontro.
Algo está errado.
Desta vez, antes de voltar e atravessar a avenida Córdoba mais uma vez, confiro bem.
Não, não existe daquele lado nenhum número 802.
Já do outro lado, no entanto, constato com toda a certeza de que tampouco o número existe.
Procuro então me informar e procuro algum comércio que me pareça há mais tempo instalado.
Talvez conhecessem a livraria.
Entro, então, numa casa que trabalha com consertos de objetos antigos ( assim pareceu-me) e nos atende uma mulher que poderia muito bem merecer passar por um conserto.
Ao mencionar o número, 802, assegura-me, com um tom entre convicto e reprovador de que ele não existe, muito menos qualquer livraria.
Só então começo a me dar conta de que a calle Uruguay que procuro e que supus inicialmente estar localizada no centro, estivesse na realidade em outra região.
Só poderia ser isto!
Um bairro, talvez distante.
Um pouco inconsolado por não ter encontrado a livraria mas , de qualquer forma, me sentindo recompensado pelo passeio ainda passo num cyber que encontro no caminho, para conferir o último nome que, isto me lembrava, tinha desconsiderado.
E , efetivamente, lá está, Beccar!
Um outro bairro, sem dúvida, talvez distante.
Meu acesso à internet é bem rápido, trata-se de um ambiente meio estranho, com um número bem grande de computadores apertados dentro de uma espécie de escaninhos, atendido por um homem que me parece um chinês , um pouco rude, que me atende chupando alguma coisa num pratinho.
Não me demoro ali mais do que o estritamente necessário.
Ao ao sair, pergunto quanto custou.
O asiático me parece incomodado de interromper sua refeição e me diz algo incompreensível.
Repete mas não consigo nem perceber o que quer dizer.
Fico pensando se meu espanhol não está me traindo.
Como nossa falta de comunicação continua, ele pega duas moedas de vinte e cinco centavos e coloca sobre o balcão.
No primeiro momento chego a pensar que se trata de uma espécie de provocação.
Mas me dou conta, a seguir, que me mostra as moedas, como faria um mudo, porque tem dificuldade de se expressar.
É o momento de ir ao ataque.
“- Cincuenta centavos! “digo-lhe num espanhol bem claro.
E como estava um pouco irritado pelo seu comportamento algo antipático ainda acrescento para mortificá-lo , num tom em que misturo uma dose de ironia,
“Solo tiene que decir"...
Parece-me, então, que faz um sinal que concorda e saio surpreso que eu, um cliente estrangeiro, é que conheça espanhol.
Isto me faz sentir meio portenho, meio cidadão de Buenos Aires e volto sentindo que acabei, entre estes desencontros, ganhando a tarde.
Algumas coisas que tinha pensado, como tomar um metrô e ir a alguns lugares mais distantes ( o Once, San Fernando onde se localizam as lojas náuticas, etc.) já parecem inexeqüíveis.
Procuro, então, localizar a livraria Pulpo Negro especializada em náutica.
O endereço que já tinha anotado era Calle Uruguay, 802, Béccar. Não me dou, contudo, ao trabalho de pesquisar muito porque olhando o mapa localizo , do outro lado da Avenida 9 de Julio, a Calle Uruguay poucas quadras mais adiante.
Anoto, então, o endereço da rua e o número num pequeno papel sem dar maior importância ao último nome.
Alguma zona pelo centro, creio que até pensei.
Saio do hotel em companhia do Giacomo e me entrego a uma caminhada gloriosa, subindo a Lavalle, atravessando a avenida e chegando, talvez meia hora depois, na Uruguay.
Resta encontrar o número, 802.
Determino o sentido da numeração e continuo a caminhada. Algumas quadras mais e tenho que atravessar a Avenida Córdoba pois pela numeração estaria logo após o outro lado.
Mas, para minha perturbação não encontro.
Claro, deixei passar o número, preciso retornar, pensei.
Novamente atravesso a avenida Córdoba mas, o que só aumenta minha perturbação, novamente não encontro.
Algo está errado.
Desta vez, antes de voltar e atravessar a avenida Córdoba mais uma vez, confiro bem.
Não, não existe daquele lado nenhum número 802.
Já do outro lado, no entanto, constato com toda a certeza de que tampouco o número existe.
Procuro então me informar e procuro algum comércio que me pareça há mais tempo instalado.
Talvez conhecessem a livraria.
Entro, então, numa casa que trabalha com consertos de objetos antigos ( assim pareceu-me) e nos atende uma mulher que poderia muito bem merecer passar por um conserto.
Ao mencionar o número, 802, assegura-me, com um tom entre convicto e reprovador de que ele não existe, muito menos qualquer livraria.
Só então começo a me dar conta de que a calle Uruguay que procuro e que supus inicialmente estar localizada no centro, estivesse na realidade em outra região.
Só poderia ser isto!
Um bairro, talvez distante.
Um pouco inconsolado por não ter encontrado a livraria mas , de qualquer forma, me sentindo recompensado pelo passeio ainda passo num cyber que encontro no caminho, para conferir o último nome que, isto me lembrava, tinha desconsiderado.
E , efetivamente, lá está, Beccar!
Um outro bairro, sem dúvida, talvez distante.
Meu acesso à internet é bem rápido, trata-se de um ambiente meio estranho, com um número bem grande de computadores apertados dentro de uma espécie de escaninhos, atendido por um homem que me parece um chinês , um pouco rude, que me atende chupando alguma coisa num pratinho.
Não me demoro ali mais do que o estritamente necessário.
Ao ao sair, pergunto quanto custou.
O asiático me parece incomodado de interromper sua refeição e me diz algo incompreensível.
Repete mas não consigo nem perceber o que quer dizer.
Fico pensando se meu espanhol não está me traindo.
Como nossa falta de comunicação continua, ele pega duas moedas de vinte e cinco centavos e coloca sobre o balcão.
No primeiro momento chego a pensar que se trata de uma espécie de provocação.
Mas me dou conta, a seguir, que me mostra as moedas, como faria um mudo, porque tem dificuldade de se expressar.
É o momento de ir ao ataque.
“- Cincuenta centavos! “digo-lhe num espanhol bem claro.
E como estava um pouco irritado pelo seu comportamento algo antipático ainda acrescento para mortificá-lo , num tom em que misturo uma dose de ironia,
“Solo tiene que decir"...
Parece-me, então, que faz um sinal que concorda e saio surpreso que eu, um cliente estrangeiro, é que conheça espanhol.
Isto me faz sentir meio portenho, meio cidadão de Buenos Aires e volto sentindo que acabei, entre estes desencontros, ganhando a tarde.